quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

anxiety wishing

Preciso viver em um lugar com mais verde. Não precisa (mas bem que poderia) ser no meio do mato. Mas precisa ter mais, muito mais, contato com tudo o que é verde.

Gostaria muito de me dedicar mais a literatura, mas, as vezes por falta de tempo, as vezes por falta de ânimo, tenho deixado ela "pra lá". E por literatura, entenda-se: a que eu consumo e a que eu poderia produzir.

Tenho muito medo de perder o amor imenso que achei no meu parceiro, meus melhores amigos e na minha família. Eu sei da minha sorte. Eu preciso deles comigo pra sempre. Esse medo é uma coisa boba, infantil - motivado pela insegurança. No fundo, o que eu preciso é aprender lidar com ele. O resto se resolve.

Não gosto de ser tão produtiva assim. Não gosto das responsabilidades e compromissos que isso traz (as internas e externas). Porque 01. é extremamente cansativo e me consome; 02. tenho um medo horrível de falhar em tudo o que faço.

Eu antecipo as minhas tragédias e ignoro as minhas conquistas. O nome convencionalmente dado a essa mania é "ansiedade" e, finalmente, eu entendi como a minha funciona. E ela é uma sabotadora desleal.

Queria que a minha vida profissional e financeira pulasse cinco anos no tempo. Eu sofro, ambiciono e consumo como alguém mais estável do que de fato sou. E isso é um saco!

Nunca soube disfarçar meu desprezo. Nunca soube controlar minha dedicação. Sou uma ótima mentirosa, menos quando se trata das minhas dúvidas e paixões.

Eu estimulo o ódio, quando o acho necessário. Acho que algumas das coisas boas da vida só acontecem por meio dele. E algumas pessoas ruins só vão embora assim também. E alguns grande amores permanecem, dessa forma. Mais importante: todo laço formado, apesar do ódio, é verídico, puro e leal.

Quero ter pelo menos mais 2 cachorros. Adoraria um bebê que unisse a minha essência a essência do meu amor, mas tenho medo do que de fato significa por uma alma inocente, que eu amaria incondicionalmente, nesse mundo.

Apesar das minhas tentativas diárias, não sei fugir do comum, nem dos jargões, nem dos ópios populares. Tudo bem, isso não é mais um problema. Só não gosto de ser julgada.

Ando "socialmente empacada". A informação continua entrando, formando minhas opiniões. Mas só pra me tornar mais desesperada e, simultaneamente, sem vontade alguma de agira, mudar, estimular e produzir. Não inspiro e nem tomo atitudes: só processo (mal e via gastrite) tudo de errado no mundo, tudo o que me entristece, e guardo pra mim.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Vinte&Cinco e Dez

Cidade nova
Casa antiga

Fim do dia quente, claro
Silêncio cheio de ruídos de cigarra e respiração
Suor na pele lisa, brilhante e pegajosa

Cheiro de flor. E de grama. E de barro
E de arroz. Ovo frito. Bolo com manteiga

Rotina que não pune, não sufoca

Nós queríamos ser tristes, mas a infância não deixava
Nós fugíamos para mundos inventados, de onde nunca mais saímos

Ternura. Materna.
Somente materna, de duas mães

Eu finalmente aprendi sua língua, mas agora não quero mais conversa com você. Vai embora. Será que você pode ir embora, por favor?

O que aconteceu?
Além dos 15 anos mutantes? Que passaram voando?

Passamos. Investimos. Tanto tempo
Tanto tempo querendo esquecer da menina confusa e problemática
E quase conseguimos. Mas quando quase conseguimos, sentimos um desespero enorme

Ela sou eu. Essa não sou eu
Quase conseguimos. Quase nos perdemos dela
Mas não vamos mais. Não queremos mais

Ela sou eu.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

03. O que você costumava fazer, porém agora não faz mais?

Esportes! Handball, Vôlei e até Tênis de Mesa. Jogava na escola, faculdade, por equipe, competindo... treinava umas duas vezes por semana e cheguei a me federar. Daí machuquei o joelho e tudo mudou.

Gostava bastante. Hoje sei que tem muito a ver com a minha personalidade, constantemente estressada e competitiva. Alimentava a competição que em mim habita e, consequentemente, aliviava o estresse. 

Fui parando aos poucos. Depois da faculdade, nem tinha mais o que fazer. Mas adoraria voltar. Porque gosto mesmo e porque me tornei perigosamente sedentária. 

Quem sabe, né.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

2. Você é um(a) super-herói(heroína). Quais são os seus super poderes e como pretende usá-los?

Impressionante capacidade de antecipar reações e acontecimentos. Utiliza-se disso para controlar todas as interações dais quais participa, o que permite desempenho financeiro, político e social fora da curva.

Isso fez dela, a BlissEffect, uma das pessoas mais populares, admiradas e - paralelamente - odiadas do mundo.

Após anos comportando-se bem e ajudando os oprimidos a se defenderem e reagirem, a super-heroína, que nasceu brasileira, no ano de 1992, cansou de se esconder (com bastante facilidade) de todas as situações de risco que seus inimigos tentam, sem sucesso, colocá-la.

Com 24 anos, então, BlissEffect revelou pro mundo que, além de interpretar as coisas todas muitíssimo bem, consegue "sugerir" ações diretas para com quem interage. Ou seja, controlá-los sem mesmo que eles percebam.

 Seu objetivo é simples: derrubar os injustos e opressores.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

642 coisas: starter

"O projeto 642 coisas sobre as quais escrever foi criado no intuito de juntar escritores para combater o bloqueio usando uma porção de desafios. Qualquer pessoa pode participar!"


Farei um por dia. Juro. Tirando sábados e domingos porque é dia de nada.

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1. Descreva a sua aparência física (na terceira pessoa), como se você fosse uma personagem de livro.

Usa, quase todo dia, os cabelos presos. São crespos e castanhos, com as pontas alisadas e um volume que ela tenta disfarçar em coques doloroso.

O rosto é oval, cheinho e quase sempre muito sério. Se sorri, covinhas se abrem nas bochechas e os incisivos, levemente tortos, pulam pra fora.

É negra. Não como a Nina Simone ou a Serena Williams (embora quisesse). Tem cor de coco-queimado, do tipo que fica amarelada quando não vê sol, mas, no primeiro dia de praia, já bronzeia e escurece uns três belos tons.

Os ombros são largos e os braços gordinhos. As ancas também. Tem coxas grossas, canelas compridas e altura de atleta. Os seios são fartos ao ponto de atrapalhar sua postura, mas sem bizarrice. As mãos são finas e longas.

Os olhos, conforme lhe disse durante seus 24 anos a mãe, têm cor e tamanho de jabuticaba. Ela se orgulha deles. Mesmo quando acorda cansada e com olheiras fundas e arroxeadas, continuam bonitos e expressivos. Com cílios longos e sobrancelhas fortes.

A boca é de preta. Não como a da Lupita Nyong'o ou a da Viola Davis (embora quisesse muito). É um pouco maior e mais curva do que o padrão, com cor de chocolate ao leite.

Gosta de usar vestidos curtinhos e, há um bom tempo, deixou de se importar com as celulites. Além do mais, todo mundo parece gostar de suas pernas como elas são.

Quando realmente precisa, troca os vestidos por calças pretas e simples, camisetas cinzas ou brancas e a jaqueta de couro (falso) marrom.

Botas de cano curto e alpargatas também sempre aparecem e se repetem. Assim como bolsas-carteiro, Raybans falsos e sutiãs de renda escura.

Os brincos, nesses tempos de vida adulta forçada, são sempre pequenos e discretos. Não consegue usar colares e outros tipo de bijuterias como gostaria.

Tem dois perfumes em casa: um caro e importado, que só usa quando sai com o namorado e em passeios especiais. E um simples e nacional: que aplica todos os dias em duas discretas borrifadas.

Tem nove tatuagens. Três florais, três escritas, duas bem pequenas e duas um tanto quanto desbotadas. Nenhuma colorida.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Holding Hands

Dezembro (ou novembro) de 2012.

Nós dois carregávamos um punhado de dúvidas. Mas nosso amor pela obra do Tolkien e a vontade de se ver nunca foram dúvidas.

Então marcamos um cinema no shopping mais sem graça da cidade. Mas era do lado da estação de trem, bom pra você, e de lá saía um ônibus direto para a minha casa também.

Lembro de ter escolhido, sem muito cuidado, um vestido simples, de uma cor feia, que tenho até hoje. Você reparou, é claro. Disse, talvez por educação, talvez pelo cumprimento ousado da barra, que era bonito. E elogiou também meus brincos plásticos de “pérolas”.

Ainda usava os cabelos meio compridos, com cachos grandes e escuros. E aquelas costeletas que eu desprezava. E o tênis azul, da Adidas. Já estava desbotado nessa época (acredite se quiser).

Enquanto o filme não começava, falamos bobagens e você não quis comprar pipoca (mais tarde descobri que estava com vergonha de comer durante aquilo, que poderia ou não, ser um encontro. Mas que ama pipoca. E acha um sacrilégio ir ao cinema e não comprar pipoca).

O filme era O Hobbit, o primeiro - An Unexpected Journey. Ele tem quase quatro horas de duração e eu juro que passei as duas primeiras segura e despreocupada. Interessada no filme, sem pensar na complicação sem fim que sair com você havia se tornado (por culpa minha, é claro).

Mas era uma daquelas salas gigantes do Cinemark. O ar-condicionado estava forte e o meu vestido era curto, feito de um tecido fino. Aí me peguei pensativa, perdendo trechos importantes do filme para a minha mente indecisa. Não aguentei. E decidi segurar sua mão direita com força, de supetão.

Você respondeu de um jeito que, para mim, foi decisivo. E até hoje é. Sempre que tenho dúvidas, lembro de como pegou de volta a minha mão esquerda naquele dia. Cheio de surpresa, amor e esperança.

É claro que a gente, que conversava todo dia, o dia todo, pelo chat do Facebook, já havia decidido, antes daquele cinema, que seríamos só amigos. Que era “com certeza, melhor assim”. Mas passar a última hora sentindo minha mão quente, dentro das suas mãos (que eu amo tanto, até hoje), borrou todas as linhas cuidadosamente traçadas por nós.

Na saída, achei que fosse melhor soltar. Mas você insistiu que a gente andasse, pelo menos até a entrada da estação, dessa forma. “Já que era a nossa última chance”.

Aí chegamos lá e falamos umas idiotices pra se consolar que havia “acabado mesmo”, que seríamos “só amigos mesmo”. Isso rolou sem desgrudar os olhares um do outro. Você tentou me beijar. Eu recusei. Me arrependi na hora.

Fomos pra casa.


No outro dia, de manhã, decidi que queria viver toda a minha vida, todas as minhas idas ao cinema, todos os meus medos e inseguranças, ao seu lado.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Delirium, where are you?

De uns quatro anos pra cá, eu comecei e ficar realmente assutada com a possibilidade de perder o contato com a Vitória dramática, apaixonada, literária e musical que me acompanha desde os doze.

Ela já teve uns cinco blogues e foto-blogues, devorava mais filmes que comida sólida, se apaixonava todo dia por uma ideia ou pessoa diferente, sofria e amava em technicolor.

Mas aí, de uns quatro anos pra cá, eu comecei a ficar realmente assustada com a possibilidade de perder essa poesia incendiária que tenho (ou tive?) flamejante em mim desde os doze.

Não sou nem nunca fui especial. Todo adolescente sente as coisas de formas intensas e cerimoniosas. O que eu amava eram as formas que encontrava para dar vazão a tudo isso.

Mas aí essa chama saborosa & dolorosa começou a se apagar. Eu acho que cresci, né. Eu sabia que cresceria, mas tinha esperança de que meu lado Kerouc meets Anne Rice não se abalaria a troco dessa tal de vida adulta.

Tem dias que tenho relances nostálgicos disso tudo. Que o lúdico e o dramático me ajudam a compreender um sentimento, montar uma frase ou participar de um diálogo.

São nesses dias que eu percebo como crescer é uma armadilha. Uma armadilha série e ardilosa. Compenetrada e comprometida, que te força a ser séria para produzir. E produzir é o que você faz, depois se torna quem você é.

Que saco, né? Porque eu continuo sendo uma sofredora, sabe? Só a poesia do processo todo que parece ter me abandonado.

Não se vá não, Delirium and Forxes. E, se precisar ir, vá com calma. A gente ainda tem tantos anos e momentos comuns pra escrever & transformar juntos.

Eu amei te odiar, tá?