terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tulipas

Você deita e bate junto com o seu coração. Não é sentimentalismo, é uma descrição biológica, uma reação química. Deita de lado, com os sentidos oscilantes, arrebatada. Fazia tempo que não acordava tão cedo, e a manhã é cheia de truques. Ainda tá tudo quieto, a luz ainda vem batendo de encontro as janelas da casa, ainda tá frio, e você tá escutando "Pala" já a uns três dias seguidos, que agora tá tocando ao fundo. Aí chegam elas, rosas e úmidas, umas grandes, outras menores... Frias, com o caule manchado de terra, amadas instantaneamente. Você já ganhou iguais várias vezes, já amou, já odiou, ignorou ou sofreu. Dessa vez... foi só maior, e mais complicado. Um pedaço de papel pardo, rasgado de uma folha maior, com uma única frase. "Soulmates never die". Foi um soco, um tapa. Serotonina, duas ou três lágrimas errantes, os pássaros lá fora. Involuntário, foi o sorriso. A música, foi trilha. Deitou e sentiu da forma mais intensa do mundo o coração batendo em uníssono com o resto do corpo. Sem pensar, sem olhar, até sem ver - só sentiu. Não é romantismo, é precisa descrição. Deu tontura, ficou frágil, primeiro assustada, mas depois passou. Só tombou, de lado, cedendo, observando a luz. Incompleta, mas plena... plena. A respiração de Julieta foi deixando o tórax cada vez mais relaxado. Pros ouvidos e têmporas, veio o som que já não cabia mais no peito sozinho. Elas deitaram com você. São cor-de-rosa, vieram de uma loja logo ali, mas vieram de tão longe também... É a sua flor preferida. E agora seus olhos já estão tão molhados quanto as suas pétalas frescas. (...) Eu sei. Eu sei que é difícil. Que é horrível, às vezes. Eu sei. Eu não finjo que eu esqueci. Mas é maior. É maior...

sábado, 11 de agosto de 2012

Não namore uma garota que lê

http://asviolentasbright.blogspot.com.br/2012/03/namore-um-cara-que-le.html

Saia com uma garota que não lê. Faça tisso, porque nada é pior do que uma garota que lê. Faça, eu digo, porque uma vida inteira no purgatório é melhor do que meia vida no paraíso, e meia no inferno. Faça, porque a garota que lê possui o vocabulário que pode descrever esse descontentamento de uma vida insatisfeita, um vocabulário que analisa a beleza inata do mundo e a converte em uma necessidade alcançável em vez de uma maravilha alienada. Uma garota que lê faz alarde de um vocabulário que pode identificar a capciosa e desalmada retórica de quem não pode amá-la e a inarticulada causada pelo desespero de quem a ama muito. Um vocabulário, maldito seja, que faz de mim um enganador vazio, um truque barato. Faça, porque a garota que lê, entende a semântica da coisa toda. A literatura tem a ensinado que os momentos de ternura chegam em intervalos esporádicos, mas reconhecíveis. Uma garota que lê sabe que a vida não é planar, ela sabe e exige, que o fluxo da vida venha em uma corrente de decepção. Uma garota que leu sobre as regras de sintaxe, conhece as pausas irregulares – a vacilação e a respiração – que acompanha a mentira. Sabe qual é a diferença entre um episódio de raiva isolado e os hábitos de alguém que se agarra com força a alguém cujo amargo cinismo continuará, sem razão e sem propósito, depois que ela tenha empacotado suas coisas e pronunciado um inseguro adeus. E ela decidiu que eu sou uma elipse e não uma etapa, e, por isso, segue seu caminho. A sintaxe a permitiu que conhecesse o ritmo e a cadência de uma vida bem vivida. Namore uma garota que não lê, porque uma garota que lê sabe a importância de uma trama. Ela pode traçar as demarcações de um prólogo e os cumes afiados de um clímax. Ela sente em sua pele. Uma garota que lê será paciente caso haja pausas e tentará acelerar o desfecho. Mas de todas as coisas, a garota que lê conhece o inevitável significado de um final. E sente-se cômoda com ele. Ela tem se despedido de milhares de heróis com apenas uma pontada de tristeza. Não namore uma garota que lê porque garotas que leem são contadoras de história. Você com Joyce, você com o Nabokov, você com Woolf. Você na biblioteca, na plataforma de metrô, você em um café de esquina, você na janela do quarto. Você, que tem feito minha vida tão difícil. A garota que lê tornou-se uma espectadora de sua vida e cheia de significado. Ela insiste que suas narrativas são ricas, ela apóia seu elenco colorido e sua tipologia. Você, a garota que lê, faz-me querer ser tudo que eu não sou. Mas eu sou fraco e vou deixá-la, porque você tem sonhado, propriamente, com alguém que é melhor do que eu. Você não vai aceitar menos do que já tivemos, e quanto ao "mais", eu não sei se posso te dar. Você vai aceitar nada menos que paixão, e perfeição, e uma vida digna de ser narrada. Por isso, vou deixá-la, garota que lê. Pegue o próximo trem que a levará para o Sul e leve consigo um Hemingway. Eu te... te... Bom, você já sabe, já leu mil vezes essa frase torta, insuficiente e cambaleante feita de três palavras, que, verdadeiras ou não, sozinhas já não tem mais força para mudar o seu enredo.

Guilherme S.
para o blog da Vv.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Mas tudo bem... tá tudo bem, meu bem!"

Dia 9 chegou rápido demais. Eu não sei que roupa vestir, ou que perfume usar... Dormi mal a semana toda, achei que tivesse haver com o excesso de trabalho que eu assumi, mas eu poderia ter parado mais cedo e ido deitar um pouco antes. Na real, é a ansiedade me consumindo. Não a ansiedade boa, mas a ansiedade velada, que antecede a sua... viagem. Eu sei que já tem 8 meses que você não é mais meu e eu não sou mais sua, mas isso é uma mentira deslavada e nós podemos tentar, mas não enganamos ninguém. Agora chegou o dia, e você me convidou pra um café, antes da minha aula, e antes do seu voo... Me convidou pra uma despedida, e eu até tentei pensar em uma resposta mal-educada na época, mas deve fazer sentido, ir dar tchau - nós somos quase experts nisso. Eu lembro de quando você cantou Beatles no aeroporto e prometeu me mandar, todo dia, "todo o seu amor". Lembro daquele dia aqui em casa, quando nós sentamos de costas um para o outro e choramos baixinho, ignorando o erro que estávamos por cometer. Eu queria fugir disso, de mais uma dessas... Mas no fundo, quase preciso. É complicado, sempre foi, sempre vai ser. Mas eu preciso ir olhar nos seus olhos azuis uma última vez, falar bobagens pra te arrancar sorrisos e te pedir cautela, paciência e juízo. Preciso que você segure meu rosto entre as mãos quentinhas, e que jure me amar pra sempre mesmo de tão longe. Preciso sentir sua respiração quebrando no meu pescoço, enquanto recuso me despendurar do seu abraço enorme, do seu cheiro amadeirado de almíscar e sândalo. Você vai ficar oito meses fora, parece estúpido ir se despedir de alguém que, por escolha, eu me mantive (ou tentei) afastada nos últimos oito meses. Mas nunca achei meu coração muito esperto mesmo, e Deus sabe que eu morri de saudades, mesmo fugindo das minhas promessas choronas e indo te ver quase que mensalmente, mesmo sabendo que você estava a um metrô de distância. Nem sei se o que está me deixando a garganta seca, agora, são as saudades-monstras em potencial. Com as saudades, eu lido, aprendi a lidar. O que me mata, é  a possibilidade de te perder de vez... Mas... tudo bem. Você tem que ir - já sei que vai transbordar de emoção e dizer que, "se você pedir, eu fico, juro que fico" - mas não é assim, nunca foi assim! Nosso amor vence essas coisas, cambaleia, se parte de formas que parecem simplesmente demais, mas eu te prometo que ele vence! Agora preciso ir esfriar a cabeça, pensar em uma forma graciosa de te contar que, em março, muito provavelmente seja a minha vez de ir conhecer outros mares, e que, nossos meses somados, dão um ano e três meses de afastamento... Também preciso pendurar meu pingente de coração ("O Seu coração é o Meu coração e juntos eles batem, em unissom, como o Um Só que de fato são.") e prender o cabelo daquele jeito que você gosta tanto. É, eu preciso ser a sua menina uma última vez... Mas só por um tempo, só por um tempinho, Sr. Âncora. Depois fica tudo bem, sempre fica.



sábado, 4 de agosto de 2012

Heartstrings

"Loving a band with all your heart is something you only understand when it happens to you. On the surface, others can see it as a petty obsession, but they'll just never know the feeling of putting so much faith into a few people on the other side of the world. It's hard to explain it to them, the listening to song after song on repeat, the waits for new albums, the excitement and surreal sensation when you finally see them live. They don't seem to understand why the lyrics booklets give you a sense of comfort, or why you paste photos of them all over your bedroom walls. And they can't understand why one band could matter to you so much. And you think to yourself 'Because they saved my life.' But you say nothing, they wouldn't understand."

You're my Muse ♥ 2009, Vic.