quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

No ano de riquezas, aposto na vitória

Segue abaixo o presente de Natal mais bonito que esta uma recebeu até agora.

"Eu nunca te contei isso. Mas preciso contar.

Te conhecer foi como dar um tiro no escuro. Eu não sabia o que estava por vir, Entende? Era um lance arriscado. Eu poderia ir pelo que eu já conhecia, e mesmo que não confiasse, eu saberia o que ia acontecer. Ou eu poderia escolher você. E eu não sabia a onde isso nos levaria.

Mas eu apostei minhas fichas. Todas elas. No desconhecido.

Sabe aquela história de que você nãop faz amigos, reconhece-os? Eu te achei, nega.

Não, minto.

Acho que você me achou. De repente, você estava na minha vida. Pensávamos igual. Riamos das mesmas coisas. Quando mal pude perceber, você já era aquela pessoa que eu sei que sempre posso contar.

Engraçado pensar na simultaneidade em que tudo aconteceu. Durante esse ano, você ouviu minhas alegrias, me deu bons conselhos, tomou minhas dores. Você me adotou.

                          E eu achei um lar.

Se alguém me perguntasse, eu diria que esse ano foi o ano de riquezas. Nesse ano eu ganhei na loteria.

Ninguém me perguntou, mas eu digo mesmo assim. Faz pouco tempo que você entrou na minha vida, mas já é tanto pra mim!

No ano próximo, e no outro, e no outro

                     Agora não mais às cegas

                Ainda estarei apostando minhas fichas

                              Em você."


Sophie Velasques


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Blame on

O escuro não permitiu que se olhassem nos olhos. E esse foi o único defeito. Aquele tipo de conversa deveria ser frente à frente, coração aberto, a toda prova... verdades, paixão e todo o cuidado do mundo, fluindo de uma para a outra. Mas tudo bem. Emboladinhas nas cobertas, blindadas por silêncio e escuro, também funcionou. Eram raras, as vezes eu podiam deitar juntas, e sabiam varolizá-las. Ela tinha essa mania de destribuir toques-supresa, quando estavam assim. Gostava da forma que a outra tinha de reagir quando as peles se encontravam. Foi no meio de um carinho que me escorregava coluna abaixo que comecei a falar. 

"Eu não consigo mais fazer isso. Preciso te contar uma coisa." Ela se retraiu, recolheu os dedos, cessou o carinho. "O que é?"

Seis anos depois, a que escolheu viver um amor gigantesco e deixou a outra deitada, voltava pra casa e descobriu que ela tinha estado ali. "Ela cochilou na sua cama, estava cansada." Eu sei, eu reconheceria esse cheiro em qualquer, qualquer dia e lugar.

(...)

Gosto de pensar que eu não te perdi. Que eu não abri mão de você. E não deixei você ali, chorando, e me escondi no coração de outra pessoa durante anos e anos. E que - sim, acabou - mas porque tinha de acabar, porque nós nascemos praticamente juntas e merecemos finais separados. Gosto de fingir que foi assim... E que, naquela época, nós continuamos crescendo juntas, e ainda fomos muitas vezes para a praia juntas, e dividimos a mesma cama (em segredo). E odeio quando percebo que te deixei ir morar fora, quando você ainda era tão criança e inexperiente. Não insisti pra que ficasse. E te deixei parar de me mandar emails, ou cobrar telefonemas... Você poderia ter sido a minha alma gêmea - ou a minha melhor amiga - ou o meu maior erro. Você poderia ter sido e eu odeio essa conjugação.

Espero que, de longe, você me odeie. E esteja bem. Feliz.
Espero que você sorria todos os dias e que, um dia, volte a me odiar de perto. 



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Like crazy

Eu me perco (no metrô, na rotina, nas ideias, em mim mesma) toda segunda-feira de manhã. Quando não domingo à noite. Melhor dizendo: não consigo mais me achar.

Fico ansiosa, mal-humorada, sensível. Me relaciono mal com o próprio sangue, com velhos amigos, com futuros colegas.

Planejo, para os dias de semana, horas pós trabalho - solitárias e divertidas - que sempre deixo de cumprir.

Não é infelicidade. Não é depressão. É só o resultado natural de passar três dias com você, duas noite ao seu lado... isso tende a deixar os outros dias borrados, escuros. Assim, meio vazios, mesmo que estejam, também, meio cheios.

Não sei se é bonito, não sei se é saudável. Com certeza sei que parece clichê. O fato é que não é apenas sentimento, també é físico - real. Me sinto incompleta sem sua mão na minha, seu olhar no meu, seu calor em mim. Eu vivo pra dividir a vida com você. Encaro segundas (terças, quartas, quintas e sextas) insanas por você. Pra te ver, te ter - pra ser - ao seu lado. Porque só é assim que dá. Só assim que vira.