quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os 7 atos quebrados

Coexistir é se desafiar diariamente. Pode dar certo, poder dar errado e pode "dar certo até que dê errado".

Eu aceitei essa cruel equação. Tive de morrer por dentro todos os dias, durante meses e meses. Mas deixei ir. Desapeguei. Já não preciso mais me convencer que foi o correto - é um fato, palpável, de certeza simples e cegante. Tenho, agora, meu coração pousado em outro local, e a impressão de que de lá ele não sai mais.

Os sete atos quebrados são, portanto, um registro. Uma memória. Algo que escrevi quando meu peito só carregava nuvens negras e a maior dor do mundo. Pra deixar em mim fresco o frio na barriga, a certeza final. Provar que "dar errado" foi a melhor coisa que poderia ter acontecido - para todos nós. A lição, o respeito, o último dos desapegos.


7. 
A guerra de egos partidos. Nosso amor é a pior arma do mundo. Nós a construímos juntos.

6. 
Everything you do,
Every word you say,
And every expression you make
Is tattooed on my mind.

5. 
Seu ácido gástrico me queimando por dentro.

4.
I hate the idea of anyone else having you.

3.
É apaixonado pelo amor que eu sinto por você, não por mim.

2. 
Você virando fumaça nos meus braços.

1.
Feel what I feel.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Sobre ânsia e opinião

Eu não vou entrar no mérito.

Eu prometi que não iria mais entrar no mérito! Jurei parar de regurgitar bílis toda vez que cruzasse com um ou outro comentário pretensioso, opiniões malformadas e preconceitos gratuitos.

Este aqui será um desabafo sem mérito. Sem foco. Não defenderá as cotas por motivos óbvios, não explicará como a perseguição de oprimidos é cega e presunçosa, não fará apelo contra a violência policial, não citará as belezas dos programas de bolsa e assistência.

Nada disso. 

Esse aqui é um ensaio de autoconhecimento. Preciso entender por que algumas das "opiniões" político-sociais de integrantes do meu círculo pessoal me assustam e machucam tanto. Pesar e medir: é porque elas são rasas, opressoras e meramente reproduzidas? É porque eles às tratam como se fossem dádivas únicas e individuais? É porque dói saber que são eles quem serão gente-grande comigo? É porque eu tenho sérios problemas para assimilar falta de tato com o próximo?

É por quê? 

Talvez seja culpa da preguiça (de vocês). Preguiça em entender - antes de criticar, veja bem - uma porcentagem mínima da gestão, dos problemas e das possibilidades do país: é ela quem me mata.

Mas calma. Muita calma. Isso aqui não é uma defesa às grandes mentes, nem aos pontos de vista que me agradam. Não é um contraponto às baboseiras que eu leio por aí, nem é a minha preciosa "opinião". Afinal de contas, cada uma tem a sua. Seja ela estudada e justa, seja ela rasa e superficial.

O importante é opinar, e opinar, e opinar.


"Muitas vezes tenho uma opinião quando estou deitado, e outra quando estou de pé."
Georg Lichtenberg