quarta-feira, 24 de junho de 2015

bitches beware

Aquele ditado popular que fala sobre reação: ele é o meu preferido.
"Coloca o dedinho na boca dela pra ver se não morde."

Tem gente que o interpreta à favor dos traiçoeiros. Mas eu, talvez um pouco idealisticamente demais, não creio em mordidas dadas sem razão.

Introduções após, apresentando o tema: sou fã número um de quem reage. Passividade tem um limite e, quando esse limite é rompido, um preço muito alto.

Em partes, é porque eu nunca gostei da ideia de ser um alvo fácil. Basta dar uma olhadinha nos posts mais pessoais daqui pra perceber. Só eu tive, durante todos os dias dos meus 23 anos, o direito de me machucar. Isso não significa que sou imune a todo resto - muito pelo contrário. Mas, quando chega a isso, eu tenho reações estrondosas.

E é claro que, mesmo como grande apreciadora e defensora delas, sei melhor do que ninguém das consequências. Ainda assim, prefiro lidar com as consequências à ficar sem reação.

E é mais claro ainda que, às vezes, o capetinha empulerado no meu ombro esquerdo exagera. E me convence a tomar atitudes precipitadas, com requintes de má fé, impaciência e arrogância.

O fato é que eu não me desculpo mais. Foi pra documentar isso que montei esse texto egocêntrico.

Bad bitches will always beware.

Ciao.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Desesperado e Divino

É como ter saudades imensas de um lugar que você nem sabe se existe. É tipo aquela hesitação sonolenta que vem antes de dormir, depois de acordar ou no meio de um sonho. Tá exatamente sobre a tênue linha que separa o fato da fantasia.

Você sabe o que é porque você já sentiu medo ao invés de excitação. E excitação no lugar do medo. Você tem certeza que conhece essa "viagem estranha" porque inspira coisas novas, todas erradas, todos os dias. E expira gratidão, conforto e carinho.

Eu sou assim. Gosto de inverter minhas percepções. Sou bem mais alternativa aos sentidos do que sou aos gostos, frases ditas, não-ditas e relações. Essas coisas, inclusive, só têm me irritado. Porque tem uma bola de gelo dançando no meu estômago todos os dias, me dizendo pra pular de alegria, ou morrer de tristeza. Viajar pra longe, ou apertar o sinto e curtir meu lugar. Colher flores, ou usar drogas.

E é assim que sempre foi. Divino, enquanto desesperado. Sutil, enquanto em constante movimento. Todos os dias da minha infância, todas as minhas piores e melhores lembranças: é dentro de mim que a melhor e mais assustadora parte da vida acontece. Na minha cabeça maluca, no meu coração possuído. No meus olhos sonolentos, nas minhas frases curtas.

Tenho crises chorosas,
Na mesma proporção de catarses incendiárias.

Sinto o pânico constante,
Na mesma medida do clímax eminente.

Sou sozinha e do mundo,
E, da mesma forma, de alguém ou de todos.

É como... ter saudades de uma pessoa que você nunca foi. Ou sempre vai ser.
Você sabe o que é. Você tem certeza que conhece o sentimento. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

“i’m sorry that there was always a storm in my mind,
even on the sunniest of days,
im sorry”

— E.S., things i wont say to him

segunda-feira, 1 de junho de 2015

nossa lista

As dezenas de apelidos constrangedores, íntimos, no diminutivo.
O beijo no carro, sexta, após o expediente.
A primeira comida gorda de todo santo final de semana.
Os dois tipo de "grudar".
O antes de dormir e o na hora de acordar.
A barba de um enroscando no cabelo do outro.
O cafuné cheio de puxões de cabelo.
As mordidas, os pézinhos, as barriginhas, as reboladas.
Os olhares a distância, que contam tudo sem dizer nada.
O andar de mãos dadas que, na verdade, é o andar de dedinhos cruzados.
O rodízio de cds pra ouvir no carro.
Os lados incertos das duas camas, que não são mais minha e sua, e sim nossas.
A cervejinha gelada, o milk shake transbordando, a Pepsi proibida e o achocolatado matinal.
Os cafés da manhã simplinhos levados à cama.
Os cafés da manhã enormes, com bolo de laranja e muita manteiga.
A gaveta de cartinhas, miniaturas e livros que não acabam.
A apresentação mutua de sagas infantis, vistas em finais de semana.
As séries que amamos, os filmes que odiamos, a conta do Netflix.
Os poucos passeios verdes, com a cachorra mais medrosa do mundo.
Os shows onde, se não chora um, chora o outro.
Os festivais e os foodtrucks.
Os amigos que dão trabalho, os que nós adotamos, os que estão sempre lá.
Os banquetes de pizza pós balada e as tortas de maçã.
O pint de Guinness e o shake de baunilha.
Os três Hobbits e o cineminha domingo à noite.
As saias muito curtas e as camisetas todas iguais.
As compras em excesso e o futebol de madrugada.
O Bolota, o Palião e as viagens de trem, dividindo o fone.
As viagens superlongas, em família, e superdoidas, com os melhores amigos.
O irmão baladeiro e o irmão boleiro.
O tio ricaço e o tio doidasso.
As vovós baixinhas e o vovô prefeito.
O drama de acordar cedo e a obsessão por banhos.
As músicas tema do primeiro beijo.
A armadura, esquecida na Lab, e a insegurança, esquecida pra sempre.
O bulldog, a viagem e o futuro.
Nós dois, nós dois, nós dois.
Os gestos, a prioridade, o respeito, a preocupação.
Nós dois, nós dois, nós dois.