segunda-feira, 25 de abril de 2016

Delirium, where are you?

De uns quatro anos pra cá, eu comecei e ficar realmente assutada com a possibilidade de perder o contato com a Vitória dramática, apaixonada, literária e musical que me acompanha desde os doze.

Ela já teve uns cinco blogues e foto-blogues, devorava mais filmes que comida sólida, se apaixonava todo dia por uma ideia ou pessoa diferente, sofria e amava em technicolor.

Mas aí, de uns quatro anos pra cá, eu comecei a ficar realmente assustada com a possibilidade de perder essa poesia incendiária que tenho (ou tive?) flamejante em mim desde os doze.

Não sou nem nunca fui especial. Todo adolescente sente as coisas de formas intensas e cerimoniosas. O que eu amava eram as formas que encontrava para dar vazão a tudo isso.

Mas aí essa chama saborosa & dolorosa começou a se apagar. Eu acho que cresci, né. Eu sabia que cresceria, mas tinha esperança de que meu lado Kerouc meets Anne Rice não se abalaria a troco dessa tal de vida adulta.

Tem dias que tenho relances nostálgicos disso tudo. Que o lúdico e o dramático me ajudam a compreender um sentimento, montar uma frase ou participar de um diálogo.

São nesses dias que eu percebo como crescer é uma armadilha. Uma armadilha série e ardilosa. Compenetrada e comprometida, que te força a ser séria para produzir. E produzir é o que você faz, depois se torna quem você é.

Que saco, né? Porque eu continuo sendo uma sofredora, sabe? Só a poesia do processo todo que parece ter me abandonado.

Não se vá não, Delirium and Forxes. E, se precisar ir, vá com calma. A gente ainda tem tantos anos e momentos comuns pra escrever & transformar juntos.

Eu amei te odiar, tá?


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