terça-feira, 12 de julho de 2016

Holding Hands

Dezembro (ou novembro) de 2012.

Nós dois carregávamos um punhado de dúvidas. Mas nosso amor pela obra do Tolkien e a vontade de se ver nunca foram dúvidas.

Então marcamos um cinema no shopping mais sem graça da cidade. Mas era do lado da estação de trem, bom pra você, e de lá saía um ônibus direto para a minha casa também.

Lembro de ter escolhido, sem muito cuidado, um vestido simples, de uma cor feia, que tenho até hoje. Você reparou, é claro. Disse, talvez por educação, talvez pelo cumprimento ousado da barra, que era bonito. E elogiou também meus brincos plásticos de “pérolas”.

Ainda usava os cabelos meio compridos, com cachos grandes e escuros. E aquelas costeletas que eu desprezava. E o tênis azul, da Adidas. Já estava desbotado nessa época (acredite se quiser).

Enquanto o filme não começava, falamos bobagens e você não quis comprar pipoca (mais tarde descobri que estava com vergonha de comer durante aquilo, que poderia ou não, ser um encontro. Mas que ama pipoca. E acha um sacrilégio ir ao cinema e não comprar pipoca).

O filme era O Hobbit, o primeiro - An Unexpected Journey. Ele tem quase quatro horas de duração e eu juro que passei as duas primeiras segura e despreocupada. Interessada no filme, sem pensar na complicação sem fim que sair com você havia se tornado (por culpa minha, é claro).

Mas era uma daquelas salas gigantes do Cinemark. O ar-condicionado estava forte e o meu vestido era curto, feito de um tecido fino. Aí me peguei pensativa, perdendo trechos importantes do filme para a minha mente indecisa. Não aguentei. E decidi segurar sua mão direita com força, de supetão.

Você respondeu de um jeito que, para mim, foi decisivo. E até hoje é. Sempre que tenho dúvidas, lembro de como pegou de volta a minha mão esquerda naquele dia. Cheio de surpresa, amor e esperança.

É claro que a gente, que conversava todo dia, o dia todo, pelo chat do Facebook, já havia decidido, antes daquele cinema, que seríamos só amigos. Que era “com certeza, melhor assim”. Mas passar a última hora sentindo minha mão quente, dentro das suas mãos (que eu amo tanto, até hoje), borrou todas as linhas cuidadosamente traçadas por nós.

Na saída, achei que fosse melhor soltar. Mas você insistiu que a gente andasse, pelo menos até a entrada da estação, dessa forma. “Já que era a nossa última chance”.

Aí chegamos lá e falamos umas idiotices pra se consolar que havia “acabado mesmo”, que seríamos “só amigos mesmo”. Isso rolou sem desgrudar os olhares um do outro. Você tentou me beijar. Eu recusei. Me arrependi na hora.

Fomos pra casa.


No outro dia, de manhã, decidi que queria viver toda a minha vida, todas as minhas idas ao cinema, todos os meus medos e inseguranças, ao seu lado.

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